Notícias

Veja cinco sequelas da covid-19 que pesquisadores estudam se são permanentes ou temporárias

Pesquisa foi desenvolvida em um dos mais tradicionais hospitais de Curitiba.

Da Redação

Uma doença complexa, sistêmica e imprevisível. Esses desafios, que fizeram parte da maioria das pesquisas para compreender o comportamento do coronavírus logo no início da pandemia, agora se refletem também na busca por explicações para os sintomas que permanecem em alguns pacientes da covid-19 por meses. 

Distúrbios cardiovasculares, metabólicos, gastrointestinais, neurológicos, anemia, dores e cansaço são algumas das sequelas observadas por um dos maiores estudos sobre isso publicado em abril na revista Nature. De acordo com os pesquisadores norte-americanos, os pacientes da covid-19 tendem a continuar demandando recursos de saúde devido a essa série de manifestações clínicas. 

ESTUDO - O cenário é muito semelhante ao observado pelos profissionais de saúde e pesquisadores no ambulatório montado pelo Hospital Universitário Cajuru, em Curitiba, em parceria com a PUCPR, para tratamento e estudo das sequelas pós-covid. 

O espaço oferece atendimento de pneumologia, fisioterapia respiratória e funcional, psicologia, neuropsicologia e cardiologia dependendo da necessidade dos pacientes que são encaminhados pelo SUS, além de servir como ambiente acadêmico para pesquisas sobre a doença. 

De acordo com os dados alcançados e analisados em 4 meses de serviço, 90% dos pacientes entre 24 e 76 anos apresentam fadiga, 85% tiveram uma grande perda de massa muscular, 70% dispnéia e 50% cefaléia. São sequelas que permaneceram mesmo após um mês de recuperação da covid-19. “Logo no começo da pandemia nós percebemos que seria necessário um espaço especializado para tratamento das possíveis sequelas da Covid-19 nos pacientes. 

Certos disso, criamos o ambulatório para prestar atendimento gratuito aos pacientes e ainda contribuir com os avanços das pesquisas, ajudando a mapear o vírus e as sequelas mais comuns e severas da doença. O ambulatório une serviço, pesquisa e educação”, diz a pesquisadora do ambulatório, Cristina Baena. 

 

Confira algumas sequelas que podem ser temporárias ou permanentes

Demência: O comprometimento neurológico causado pelo coronavírus pode ser grande. Uma das explicações é que o vírus penetra no sistema nervoso central, afetando neurônios e células da glia, induzindo várias patologias como isquemias, sangramentos, dores de cabeça, tonturas e perda do olfato. Algumas pesquisas levantam a possibilidade de danos cognitivos nos pacientes. “A doença de Alzheimer tem como fisiopatologia uma resposta inflamatória, assim como o coronavírus. Isso significa que a covid-19 pode acelerar o processo de inflamação no sistema nervoso central e, por consequência, acelerar um quadro demencial latente”, explica o neurologista dos hospitais Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, Carlos Twardoswchy.

Doenças hepáticas: A covid-19 pode afetar o fígado de duas formas: uma semelhante a uma hepatite e outra, à uma colangite. Em relação ao padrão de colangite, sabe-se que as células das vias biliares têm uma quantidade semelhante de receptores para entrada do vírus (ACE2) que as pulmonares. Desta forma, a covid-19 pode afetar com bastante agressividade o fígado, especialmente se o paciente já tiver alguma doença hepática crônica. “As queixas podem ser icterícia (“amarelão”), coceira, náuseas e evoluir com a descompensação da doença hepática crônica, aumentando a taxa de mortalidade”, explica o hepatologista dos hospitais, Jean Tafarel.

AVC e trombose: O cardiologista e intensivista da UTI Covid do Hospital Marcelino Champagnat, Paulo Negreiros, explica que pacientes hipertensos correm mais riscos de desenvolver tromboses após a infecção da Covid-19. “O coronavírus desregula a pressão dos hipertensos, mesmo com uso de medicamento. O vírus pode facilitar a formação de coágulos, que levam à possibilidade de evoluir para complicações como AVC e infarto”.

TOC: Estresse pós traumático, transtornos de ansiedade e depressão também têm sido comuns em pacientes que ficaram mais tempo internados para o tratamento da covid-19. Além disso, os casos de transtornos obsessivos compulsivos (TOC) também têm se tornado frequentes na população, devido à necessidade da higienização constante das mãos, objetos e superfícies. “O medo da contaminação causa em muitas pessoas a preocupação excessiva em passar álcool em gel nas mãos, limpar compras do mercado, chegando a afetar de maneira negativa a rotina. E isso é ainda mais impactante nos pacientes que passaram por internações e vivenciaram momentos de incerteza nos hospitais, longe dos familiares”, conta a psicóloga Rosane Melo Rodrigues. 

Perda de massa muscular: de acordo com dados do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), a duração média da internação hospitalar pela Covid-19 é de 22 dias. Além do cansaço emocional, todo esse tempo em um leito de hospital também gera outro grande problema aos pacientes: a perda de massa muscular. “Os internados apresentam diversas alterações de funcionalidade tanto da musculatura respiratória quanto da musculatura periférica, em membros superiores, inferiores e também têm sua capacidade cardiorrespiratória comprometida pelo alto tempo de internação", explica a fisioterapeuta do ambulatório pós-covid do Hospital Universitário Cajuru, Maria Leonor Gomes de Sá Vianna.