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Seguradoras já podem oferecer combos de seguros

Os pacotes de serviços, com a combinação de várias coberturas, poem ser em uma mesma apólice.

Da Redação
Os novos produtos devem entrar logo no mercado.

Os novos produtos devem entrar logo no mercado.

Desde o dia 1º deste mês de março as seguradoras terão liberdade para ofertar aos consumidores combos, ou seja, pacotes de serviços com a combinação de várias  coberturas em uma mesma apólice. Até antes desta data, isso não era possível. 

Todos os produtos precisavam de aprovação prévia da Superintendência de Seguros Privados (Susep) , que é o órgão do governo federal que supervisiona o mercado de seguros no Brasil.

Mas o governo decidiu liberar o mercado de seguros de danos, destinados a proteger o patrimônio das pessoas e das empresas, como os de vida, residencial e de automóveis.

Segundo o diretor técnico da Susep, Rafael Scherre, o emaranhado de regras torna o processo burocrático e caro, o que dificulta o acesso da população aos seguros.

"O objetivo da desregulamentação do setor é diversificar os produtos oferecidos, reduzir preços ao consumidor final e ampliar a cobertura do seguro no país. Os produtos poderão ser estruturados de forma flexível, sem análise prévia ou aprovação das condições contratuais", afirma.

A expectativa da Susep é que, já no segundo trimestre, comecem a aparecer produtos com cara nova no setor. 

Segundo o presidente da Federação Nacional de Seguros Gerais (Fenseg) , Antônio Trindade, as empresas estão preparadas para anunciar produtos “feitos sob medida”.

"Como conheço, em tese, quem quero atingir, sei qual é a renda da família, onde mora e quais são suas necessidades imediatas, tamanho de apartamento e atividade econômica, posso colocar em uma única apólice várias coberturas para proteger os riscos que enfrenta no seu dia a dia", explica Trindade.

A nova regra pretende simplificar os contratos para facilitar o entendimento dos consumidores, diz Scherre. Será possível, por exemplo, fazer o pedido de abertura de sinistro e pagamento de indenização por aplicativos e de forma automática em alguns seguros.

"Queremos que um mesmo produto possa atender a diferentes necessidades do consumidor. No entanto, esses produtos precisam ser simples, o consumidor precisa compreender o que vai proteger, como funciona, parar com aquela sensação de que vai comprar e quando tiver algum problema não vai receber. Além do preço", diz Scherre.

Segundo ele, a medida deve ampliar a concorrência e impulsionar o mercado de seguros com a cobertura de diversos bens. O líder de mercado hoje é o segmento de veículos e ainda assim somente 30% da frota brasileira é coberta, segundo dados da Susep.

 

Susep diz ser preciso redobrar fiscalização para dar certo

 

Scherre diz que para a desregulamentação dar certo, seria preciso redobrar a fiscalização. “Hoje já temos muitos problemas, seguradoras que tentam se eximir de coberturas. Quando isso acontece, temos as circulares da Susep para defender o consumidor. Sem isso, o risco é aumentar a judicialização", afirma.

RECLAMAÇÕES - Desde 1º de janeiro, o canal para reclamações dos consumidores é o consumidor.gov.br , plataforma oficial do governo federal para composição de conflitos em relações de consumo. O canal pode ser acessado por meio do site da Susep , que permite a seleção da empresa a ser reclamada e direciona para o ambiente de registro da reclamação no consumidor.gov.br.

 

Veja alguns exemplos de como o combo funcionará

 

Sua casa - Agora será possível, por exemplo, fazer um seguro residencial para proteger a casa só quando o morador estiver fora, no trabalho ou em viagens, pelo sistema de liga-desliga. Esse modelo de contratação intermitente já existe para veículos e permite ao motorista acionar o seguro só quando sai da garagem.

Seu celular - O seguro do celular , hoje restrito à cobertura de furto, perda e queda do aparelho, poderá abranger proteção de dados, minimizando assim danos com vazamento de informações — cobertura, aliás, que já está no radar das seguradoras.