Notícias

Soltar balões pode causar incêndios e interrupção de energia elétrica

Atividade é crime previsto no Código Penal, devido ao risco para a segurança do transporte aéreo, com previsão de pena que varia entre seis meses e 12 anos de detenção

Da Redação
Soltar balão é crime e pode causar danos à rede elétrica e incêndios.

Soltar balão é crime e pode causar danos à rede elétrica e incêndios.

Soltar balões é um grande perigo. Além de provocar incêndios, a transmissão e a distribuição de energia aos consumidores é ameaçada nesta época do ano pelos balões. Apesar de ser crime ambiental fabricar, vender, transportar ou soltar balões que possam provocar incêndios em florestas e áreas urbanas, a incidência deles cresce nos meses de junho e julho.

Ao cair sobre as redes e linhas de energia, os balões podem deixar cidades inteiras sem luz e até provocar graves acidentes.

Os balões também representam um risco para a operação do tráfego aéreo. “Pode parecer que a distância é grande, mas isto não é verdade. As faixas da atmosfera ocupadas por aviões e balões de ar quente coincidem, e isto traz riscos a todos os envolvidos”, destaca a coordenadora de Segurança Operacional no Aeroporto Internacional Afonso Pena, na Grande Curitiba, Leticia Maria Heineck Andriani.

Há dois anos um balão deixou 130 mil domicílios em bairros da zona Norte de Curitiba sem luz, após cair sobre uma linha de alta tensão e provocar um curto-circuito. Alguns meses depois um balão sobrevoou os bairros Tarumã e Jardim Social, rota dos aviões para o Aeroporto do Bacacheri.

O diretor geral da companhia elétrica do Paraná, a Copel Distribuição, Maximiliano Andres Orfalli, destaca a importância da disseminação de informações para a prevenção de acidentes: “Acreditamos que a educação tem o potencial de transformar o comportamento das pessoas. Todos precisam conhecer o prejuízo que esta prática causa na sociedade para que tenhamos cidadãos mais conscientes de suas ações”, alerta.

Soltar balão no Brasil é crime previsto no Código Penal, devido ao risco para a segurança do transporte aéreo, com previsão de pena que varia entre seis meses e 12 anos de detenção (art.261). A atividade também configura crime ambiental, com tempo de reclusão de um a três anos, além de multa (Lei nº 9.605/98).

A Copel tem registrado aumento do número de casos de desligamentos por conta de objetos estranhos na rede, entre eles, as pipas. Nesta época do ano, balões também são responsáveis por causar transtornos ao fornecimento de energia e, principalmente, por colocar em risco a segurança das pessoas.

De janeiro e maio deste ano foram 798 casos de interrupções por conta de objetos estranhos nas redes da Copel no estado, contra 434 no ano passado. O levantamento inclui linhas onde se perceberam as maiores variações, localizadas em Curitiba e região metropolitana e em alguns municípios do interior.

Nas regiões contabilizadas – que incluem a capital e cidades como Colombo, Londrina, Castro, Candói e Ponta Grossa – o aumento de 84% entre 2019 e 2020 se mostra atípico. Se comparado a outros anos ainda, 2020 já teve mais casos que no mesmo período em 2018, quando foram registradas 524 interrupções; 2017, com 558; e 2016, quando houve 586 desligamentos nos cinco primeiros meses do ano.

Os desligamentos são causados pelos mais diversos motivos: pipas quase sempre são os objetos mais comuns, mas elas dividem o posto com balões, especialmente na época das festas juninas e julinas, e até com tênis e bolas. Em meados deste mês, um alimentador desligado em Paranaguá por causa de um balão deixou mais de 5 mil unidades consumidoras sem energia.

Um dos motivos para o aumento dos índices atuais pode ser o fato de que as crianças estão passando mais tempo em casa em virtude da pandemia. “Elas naturalmente buscam mais atividades de lazer e, nas áreas urbanas, algumas dessas atividades competem com a rede elétrica”, lembra o engenheiro eletricista Rafael Radaskievicz, gerente da Divisão de Controle de Qualidade da Copel Distribuição.

Rafael alerta que, para além dos transtornos com o corte de fornecimento para reparos na rede, enroscar objetos nas linhas de eletricidade pode representar um perigo. “No caso das pipas, o risco é ainda maior quando se utilizam aparatos para cortar outras pipas, já que muitos deles contêm componentes metálicos em sua composição”, explica.

A indicação é que, caso o incidente aconteça, nunca se tente tirar o objeto da rede, já que existe o risco de choque elétrico. “Mas a recomendação principal em termos de segurança é que essas atividades sejam praticadas em áreas abertas, longe das redes elétricas, e, ainda, sem a utilização de aparatos metálicos, que, além do risco envolvendo a eletricidade, também podem ferir pessoas”, alerta o engenheiro.

* Com informaçõesda Agência Estadual de Notícias do Paraná.