Notícias

Segurados não renovam seguros por causa da pandemia e receita do setor cai 26,1%

Cortes resultaram em queda de 21,4% na receita do mercado segurador no mês de abril

Da Redação
A queda foi acentuada, mas já há sinais de recuperação no mercado em todo o Brasil.

A queda foi acentuada, mas já há sinais de recuperação no mercado em todo o Brasil.

A pandemia reduziu sensivelmente os recursos financeiros de inúmeras famílias no Brasil. Muitos de seus integrantes perderam o emprego ou tiveram redução salarial. Com isso, a maioria teve de cortar despesas. 

Na relação de itens que deixaram de ter prioridade entraram os seguros. O mesmo aconteceu com empresas. Com redução no faturamento, muitas delas optarem em não renovar apólices ou fazer novos.

O empresário Jair Motta foi um deles. Ele havia aberto uma franquia de sorveteria em Curitiba. Com a pandemia, as restrições de acesso, veio a queda no consumo e teve de fechar. “Não ficamos abertos nem quatro meses”. Com isso, não renovou o seguro dos dois carros, que venciam no mesmo mês, um particular e o que usava para transportar produtos da empresa. “Sei que é um risco, mas não havia o que ser feito”, explica.

Esses cortes que as famílias e empresas fizeram resultaram numa queda de 21,4% na receita do mercado segurador no mês de abril em relação ao mês anterior e 26,1% na comparação com abril do ano passado.

Isso significa R$ 15,7 bilhões, menor arrecadação desde fevereiro de 2016, quando somou R$ 15,026 bilhões. Os números foram divulgados no mês passado no Rio de Janeiro, e não incluem saúde suplementar e o seguro de Danos Pessoais por Veículos Automotores Terrestres (Dpvat).

O presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Márcio Coriolano, analisou em entrevista à Agência Brasil que o resultado já era esperado. “Mas em abril, como o mês veio cheio, a queda foi forte”, comentou Coriolano. 

O presidente da CNseg observou que a retração registrada no mercado de seguros não ficou muito distante da queda que tiveram a produção industrial e o varejo, no período. “A queda está em linha com o que aconteceu nos demais setores da economia, o que é natural”. O setor de seguros responde aos estímulos de produção e de consumo.

O presidente da CNseg acredita, no entanto, que a retração que o setor vai sofrer por conta da pandemia terá alguma compensação mais à frente. “Não se sabe em que momento e em que condições”, disse. Mas tal como já começa a ocorrer em países da Europa, da América Latina e nos Estados Unidos, a percepção é que os consumidores, em determinado momento, perceberão que é importante não correr riscos e os números, então, poderão ser outros.

Apesar da queda, o mercado hoje já apresenta sinais de recuperação, que devem ser sentidos em breve.