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Fraudar seguro é crime, mas muita gente tenta

Fraudes chegaram a R$ 723,2 milhões em 2018; indenizações chegaram a R$ 33 bilhões

Helio Marques
Há inúmeros casos de fraudes em seguros.

Há inúmeros casos de fraudes em seguros.

Fraudar seguro é crime. Está lá no Código Penal. Mas o assunto é comum no mercado segurador. Tem muita gente que planeja e executa golpes contra as seguradoras, na tentativa de se dar bem, mas na maioria das vezes, na verdade, se dá mal e acaba amargando na cadeia de um a cinco anos, além de ter de pagar multa.

Embora muitas vezes conheçam o risco, muitos tentam. Para se ter uma ideia, as fraudes comprovadas em seguros chegaram a R$ 723,2 milhões em 2018. O dado consta do relatório referente ao 16º Ciclo do Sistema de Quantificação de Fraudes (SQF), da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais (CNseg).

Pelo mesmo levantamento, os acidentes ocorridos, envolvendo todos os tipos de seguros, somaram aproximadamente R$ 33 bilhões em indenizações. Deste total, R$ 5,1 bilhões foram resultados de situações suspeitas, o que corresponde a 15,6% do valor total dos Sinistros Ocorridos.

O valor das fraudes que puderam ser comprovadas neste período somou, aproximadamente, R$ 723 milhões, o que representa cerca de 14,1% do valor dos acidentes suspeitos.

De acordo com a advogada Liliana Orth Diehl, do escritório Checozzi e Advogados Associados, de Curitiba, os envolvidos em fraudes são enquadrados no crime de estelionato, previsto no art. 171, § 2º, V, do Código Penal. Segundo ela, se comprovada a prática de má-fé por parte do segurado, a seguradora poderá negar a cobertura.

 

Veja exemplos de fraudes que ocorrem com maior frequência:

1 - O segurado simular que o carro foi roubado;

2 - Em acidentes de trânsito, promover a inversão de culpa, quando o culpado não tem seguro.

3 - Incluir taxações a mais em orçamento de oficinas;

4 - Agravo do sinistro para fugir do pagamento da franquia;

5 - O segurado omitir  informações no ato da contratação do seguro.

 

Conheça histórias curiosas de fraudes em seguros

Recentemente a Revista Quatro Rodas publicou algumas histórias envolvendo fraudes em seguros. Conheça três delas:

Uma BMW que foi barranco abaixo…

Na tentativa de causar um capotamento intencional, o dono de um BMW 330i lançou o carro barranco abaixo. O problema foi que o carro não capotou. Para solucionar esse problema, ele decidiu pegar uma marreta e destruir a lataria. Os peritos, muito experientes, não tiveram dificuldade em descobrir a fraude, pois as marcas não eram compatíveis com a de um acidente e a carroceria estava sem nenhum arranhão.

O efeito borboleta denunciou a fraude...

As seguradoras, já acostumadas com todo tipo de fraude, não poupam os seus recursos para solucionar um caso desses. Bater o veículo contra um poste, e dizer que havia sido um comum acidente de trânsito, foi a ideia que um dono de uma Mercedes classe C teve para conseguir uma indenização do seguro. Os investigadores que suspeitaram do caso, encontraram um casulo de borboleta no sistema de escape durante a análise do veículo. A equipe da seguradora levou um especialista em insetos para ajudar a solucionar o caso, e, de acordo com o laudo do especialista, o inseto ainda estava vivo, o que não seria possível caso ele tivesse sido submetido às altas temperaturas de um motor ligado.Conclusão: O carro não estava rodando havia pelo menos uns dois meses.

O funeral do Uno e a ressurreição intacto…

O dono de um Fiat Uno enterrou o seu carro no quintal e informou à seguradora que o veículo havia sido roubado. Esse tipo de fraude é muito rara e difícil de ser descoberta, segundo os investigadores. Mas uma testemunha ocular fez uma denúncia anônima. Isso e o fato das versões contadas à polícia e à seguradora terem sido controversas, fez com que o caso fosse solucionado. Após escavarem todo o quintal, os investigadores encontraram o Uno, em perfeito estado, diga-se de passagem. O dono do veículo só confessou a fraude após o carro ter sido desenterrado.

Muitas prestações e a solução de tacar fogo no carro…

Ainda restavam 38 prestações a serem pagas pelo financiamento de um Gol, e com dificuldade de vender o veículo, a sua dona teve a brilhante ideia de atear fogo no carro e acionar o seguro alegando um incêndio. O problema foi que no meio do “incêndio” a mulher acabou sofrendo queimaduras nas pernas, e para que não levantasse suspeitas ela informou que um vândalo incendiou o carro e queimou as suas pernas com ácido quando foi tentar detê-lo. Já que não possuía muitos conhecimentos sobre a ciência forense, a fraudadora não imaginava que um simples exame de corpo delito iria comprovar que as suas queimaduras não foram provocadas por ácido e sim por fogo.